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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Manifestantes param discurso de ministro para protestar contra falta de remédios para Aids

Brasil registrou falta de medicamentos nos primeiros meses do ano



Manifestantes interromperam o discurso do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na abertura do 8º Congresso Brasileiro de Prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis ( DST) e Aids, nesta quarta-feira (16), para protestar contra a falta de medicamentos do coquetel para tratamento da doença.

Portando faixas e apitos, os mais de cem manifestantes gritavam que o “coquetel sumiu”. Um dos integrantes do movimento disse ao ministro que pacientes tiveram de procurar os serviços de saúde de três a cinco vezes para receber os remédios que, segundo ele, estavam fracionados e sem o rótulo de validade. O manifestante chamou de “desastrosa” a gestão de distribuição dos medicamentos.

No início do ano, foi registrada a falta de três antirretrovirais do coquetel, entre eles, o abacavir, importado da Índia e usado no tratamento de 3.700 pessoas. De acordo com a diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do ministério, Mariângela Simão, os problemas foram o atraso na entrega do produto pelo fabricante e a falta de documentação na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Mariângela disse, no entanto, que a distribuição foi regularizada neste mês.

– Esse não é o primeiro e nem será o último problema. O governo tem feito um esforço para garantir a continuidade do tratamento.
Ela acrescentou que o coquetel é usado por 200 mil pessoas no país. Depois do protesto, o ministro afirmou que a reivindicação é legítima e faz parte do processo democrático, mas lamentou que os manifestantes não tenham acompanhado o restante da cerimônia.

Os manifestantes deixaram o auditório e continuaram o protesto do lado de fora.

Camisinha feminina como opção

A diretora da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Kátia Guimarães, disse nesta quarta-feira (16) que uma das prioridades da pasta é estimular o uso do preservativo feminino como forma de reduzir o número de casos de Aids entre as brasileiras.

Em debate durante o congresso, ela admitiu que o plano para conter o aumento no número de casos de DST e Aids entre as mulheres, lançado em 2007, ainda não está institucionalizado no país, sendo "um plano mais no desejo”. Ela coordena o programa de combate à violência contra a mulher na secretaria.

De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, o número de mulheres infectadas cresce em maior proporção quando comparado ao de homens, em todas as faixas etárias. Em 1986, eram 15 casos de Aids em homens contra um de mulher. A partir de 2002, a relação passou a ser de 15 casos em homens para dez em mulheres. Entre os jovens, o público feminino é a principal vítima da doença. De 2000 a 2009, foram registrados no país 3.713 casos entre meninas de 13 a 19 anos de idade, contra 2.448 casos de meninos.

O diretor adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Eduardo Barbosa, disse que existe dificuldade de incluir e justificar no orçamento a compra de preservativos femininos. Um dos motivos é a falta de procura por parte das próprias mulheres.


Fonte: R7

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