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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Nos EUA, pessoas são pagas para tomar seus remédios

Com incentivo financeiro, programa quer evitar que pacientes abandonem tratamentos ou se esqueçam da medicação receitada

Entre um terço e metade das pessoas não tomam os remédios conforme são receitados, e até um quarto delas não chega a comprá-los.
Um esforço controverso para fazer frente ao problema vem ganhando espaço: pagar dinheiro às pessoas para tomarem seus remédios.

"É melhor gastar dinheiro com isso do que ter os pacientes entrando e saindo do hospital", diz Valerie Fleishman, diretora do Instituto New England Healthcare. Pesquisas desse instituto apontam que 10% das internações hospitalares decorrem da adesão incorreta a medicações prescritas.

Os pagamentos modestos poderiam economizar dinheiro gasto nas internações. Num programa da Filadélfia, as pessoas para as quais foi receitado um anticoagulante sanguíneo ganham US$ 10 ou US$ 100 por dia em que tomam o remédio, por meio de um tipo de loteria.

Uma caixa de comprimidos computadorizada registra se elas tomaram a droga e se ganharam o prêmio. Antes do programa, a mãe solteira Chiquita Parker, 25, que tem lúpus, estava doente demais para trabalhar. Apesar de depender do remédio para evitar complicações, como derrames, ela tinha lapsos frequentes.

"Eu me esquecia de tomar e me sentia como se não pudesse respirar", diz Chiquita. Em seis meses no programa, ela ganhou US$ 300. "Comecei a ficar muito bem." Mas, para os céticos, os pagamentos podem prejudicar a relação médico-paciente. "Por que se deveria pagar pessoas que se recusam a tomar medicamentos, enquanto não se premia quem toma?", indaga o professor de psiquiatria George Szmukler, do King's College Londres.

"Se começarmos a pagar as pessoas para tomarem seus remédios, como vamos parar?", pergunta Joanne Shaw, diretora de um departamento do Serviço Nacional de Saúde britânico.

Para outros especialistas, o efeito psicológico é mais importante que o valor financeiro. O projeto da Filadélfia, por exemplo, vem funcionando com pessoas de níveis de renda diversos.


Fonte: ASCOFERJ

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