Páginas

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Respirar direito abaixa a pressão

E não é só isso: também auxilia a controlar a ansiedade e a tratar uma série de doenças

Paula Desgualdo



Quando alguém leva um susto, prende o ar. Se está com medo, inspira e expira com pressa. Em uma situação de raiva, puxa o oxigênio e libera gás carbônico com mais força. Sem que a gente se dê conta, a respiração denuncia toda sorte de alteração no organismo — seja fisiológica, seja mental. “É o termômetro das nossas emoções”, ressalta a psicóloga gaúcha Ana Maria Rossi, diretora da Clínica de Stress e Biofeedback, em Porto Alegre.

Na última década, ganharam fôlego pesquisas que analisam o caminho contrário, ou seja, os efeitos da respiração na saúde de um modo geral. E os resultados apontam que ela é um coadjuvante eficaz no tratamento de doenças. No Laboratório de Pânico e Respiração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a prática de exercícios respiratórios diminui significativamente o uso de medicamentos em pacientes que sofrem com o transtorno de pânico, marcado por ataques de medo sem a iminência de um perigo real.

Segundo o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, coordenador do laboratório, existe um elo estreito entre esse distúrbio e a respiração. “Pessoas com asma têm maior chance de desenvolver o pânico”, exemplifica. Os sintomas respiratórios são extremamente comuns durante os ataques. Na via oposta, Nardi explica, monitorar a entrada e a saída do ar ajuda a aplacar a ansiedade e a controlar as crises.

A sensação de calma e relaxamento provocada pelas técnicas respiratórias não é exatamente uma novidade. Basta lembrar que há 5 mil anos a medicina oriental faz uso delas. A respiração controlada tardou a ser aceita pela medicina do lado de cá do globo, mas agora vem ganhando cada vez mais força. É que novos estudos conseguiram demonstrar sua ação no sistema nervoso autônomo, que modula as funções vitais involuntárias, como a temperatura do corpo, a pressão arterial e a própria respiração. Ele está dividido em dois: o simpático, que entra em ação nas situações de alerta, disparando substâncias que estimulam o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, e o parassimpático, que faz justamente o contrário, levando o corpo de volta ao seu estado natural.

“Das funções coordenadas por esse sistema, a única que se pode controlar é a respiração”, afirma o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo (Incor). Por esse motivo, os médicos já estão lançando mão de exercícios respiratórios não apenas para reduzir o estresse mas também para tratar hipertensão e amenizar dores crônicas. “E o melhor é poder levar esse recurso na bagagem pessoal”, acredita Ana Maria.

Na semana em que conversou com SAÚDE!, o farmacêutico Daniel Zoccal, especializado em fisiologia, embarcou para os Estados Unidos para receber um prêmio da Sociedade Americana de Fisiologia. Sua pesquisa de doutorado, realizada na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, no interior do estado, se debruça justamente sobre o elo entre a respiração e a função cardiovascular. “O trabalho mostra que mecanismos ligados ao controle respiratório podem favorecer o desenvolvimento da hipertensão”, revela.

Para investigar essa hipótese, o pesquisador submeteu ratos a uma das situações enfrentadas por quem sofre com apneia do sono, quando a passagem de ar pela garganta é interrompida diversas vezes ao longo da noite. As cobaias que ficavam períodos de 30 segundos com a quantidade de oxigênio reduzida apresentaram aumento da pressão sanguínea. “Os vasos possuem sensores que enviam ao cérebro a mensagem de que falta oxigênio”, explica Zoccal. Aí, a tal da atividade simpática entra em cena, acelerando os batimentos cardíacos e promovendo a constrição dos vasos. “Em um animal saudável, assim como no ser humano com boa saúde, a inspiração é um processo ativo e a expiração é passiva”, pontua o pesquisador. Já nos ratinhos do seu experimento, tanto a entrada como a saída do ar eram ativas — um jeito de respirar que, aliás, lembra o dos asmáticos.


Fonte: Revista Saúde

Um comentário:

  1. Olá blogueiro!

    O número de pessoas com hipertensão no Brasil aumentou de 21,5%, em 2006, para 24,4%, em 2009. A hipertensão é uma doença silenciosa e ataca todas as faixas etárias. Por isso, junte-se à campanha de combate e controle da hipertensão do Ministério da Saúde. Você pode ajudar na conscientização da população por meio do material de campanha que disponibilizamos para download.

    Caso se interesse, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br

    Obrigado!

    Ministério da Saúde

    ResponderExcluir