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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tratamento da Aids deve começar mais cedo, diz OMS

Proposta vai elevar os custos; mais de 5 milhões já vivem sem tratamento


Para diminuir o número de mortes causadas pela Aids, que já tirou a vida de 25 milhões de pessoas nos últimos 30 anos, a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomendou que o tratamento das pessoas infectadas comece mais cedo. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (19) durante a Conferência Internacional da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a Aids, que ocorre em Viena, Áustria, até a próxima sexta-feira (23).

A proposta da OMS é que os portadores do HIV, vírus que causa a doença, comecem a tomar os remédios quando estiverem com um nível mais baixo de infecção, apesar dos custos que isso implica.

Antes, a OMS recomendava o tratamento quando a contagem de células CD4, que define o nível imunológico, tivesse chegado a 200 -- o índice normal é de 1.000 a 1.500. Agora, no entanto, a entidade propõe que o tratamento antirretroviral comece quando os pacientes apresentarem um nível de CD4 de 350 células por mm3.

Os medicamentos antirretrovirais impedem a multiplicação do HIV e diminuem a quantidade do vírus no organismo. Com isso, a defesa do corpo melhora e o portador corre menos risco de desenvolver outras doenças.

O problema da medida da OMS, no entanto, são os custos que ela pode representar. De acordo com o Unaids (Programa da ONU de combate à Aids), a cada três pessoas que vivem com a Aids no mundo, pelo menos uma delas não tem acesso ao coquetel anti-HIV. Isso representa 11 milhões de pessoas (do universo de 33,4 milhões de infectados) que já vivem sem o tratamento.

Os números da OMS são diferentes. Segundo a entidade, também ligada a ONU, cerca de 5,2 milhões de soropositivos recebiam tratamento contra o HIV até o final de 2009, para cerca de 10 milhões que precisavam.

Além disso, segundo o Unaids, seriam necessários R$ 42 bilhões para tratar a doença nos países mais pobres, mas os países mais ricos doaram somente R$ 13,5 bilhões (32%) desse montante.

A OMS admite que essas recomendações não podem ser aplicadas imediatamente por todos os países.

- As novas recomendações podem aumentar o número de pessoas elegíveis para um tratamento e, por isso, aumentar os custos.

Tratamento precoce pode reduzir mortes em 20%

A OMS sugere ainda que os pacientes que apresentarem sintomas importantes comecem imediatamente o tratamento, qualquer que seja seu nível de CD4.

Segundo as estimativas da instituição, colocar em tratamento todos os pacientes que tiverem um nível menor que 350 de CD4 deverá "aumentar em 49% o número de pessoas tratadas", fazer baixar o número de mortes em 20% até 2015 e eventualmente reduzir a transmissão do vírus".

De acordo com Gottfried Hirnschall, diretor para Aids na OMS, esta nova diretriz fará passar para 15 milhões o número de pessoas para as quais se recomenda o início do tratamento.
- Como o tratamento reduz o nível do vírus nos corpos, haverá menos possibilidades de que os soropositivos contagiem seus parceiros.

Da mesma forma, o impacto sobre as coinfecções será muito importante, com "uma redução de 54 a 92% dos casos de tuberculose em pacientes sob tratamento".


Fonte: R7

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