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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pernilongos enfrentam o ataque dos repelentes naturais

Nos últimos seis anos, um em cada quatro produtos registrados na Anvisa continha óleos vegetais em sua composição


Cientistas do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) desenvolveram um repelente natural, composto por óleos vegetais, que age contra vários tipos de insetos e pode ser comercializado em formatos inusitados, como os de pulseiras e botões. A criação dos pesquisadores tem razão de ser: o mercado de repelentes naturais está em franca ascensão no País. Nos últimos seis anos, um em cada quatro repelentes registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) era natural. No período, dos 136 produtos registrados, 37 tinham óleos naturais em sua formulação.

No projeto do Ipen, coordenado pela farmacêutica bioquímica Sizue Ota Rogero, os repelentes de diferentes formatos liberam lentamente as substâncias repelentes sem causar alergia - as reações alérgicas são um dos principais problemas relacionados aos repelentes 100% químicos. Outra vantagem descoberta na pesquisa é a eficácia dos óleos vegetais presentes na composição. “O novo produto repele diversos tipos de insetos, não só mosquitos”, diz a cientista. “Além disso, a mistura dos óleos ajudou a potencializar o efeito da substância desenvolvida.”

O novo produto será comercializado pela empresa Millebolleblu, do ramo têxtil e de cosméticos com sede em Paulínia, região de Campinas (SP). O material escolhido para sua fabricação foi o silicone, que não causa danos ao organismo, não é tóxico nem altera a eficácia do produto. Com grande variedade em seu uso, há possibilidade de serem produzidos adereços repelentes para animais de estimação, já que a substância desenvolvida também elimina pulgas e carrapatos.

Entre os repelentes naturais mais comercializados estão os à base de citronela, uma planta aromática. Sizue espera que, após a finalização dos testes, o novo produto seja mais eficiente. “Pretendemos que a nova substância tenha um tempo de ação prolongado, seja segura e econômica”, afirma.

Movimento crescente

A iniciativa do Ipen exemplifica um movimento crescente na indústria, já que cada vez mais empresas têm se dedicado ao nicho. A Bye Bye Mosquito, por exemplo, que está há um ano no mercado, fabrica pulseiras repelentes de borracha. O produto contém óleo de citronela em sua composição.

Licenciada pela Anvisa, a pulseira repele mosquitos e pernilongos. Seu efeito de repelência atinge até um metro e meio e permanece ativo durante cinco dias após a abertura.

Desde o início da comercialização já foram vendidos aproximadamente quatro milhões de exemplares. “Houve grande impacto com os consumidores, já que não precisa ser aplicado como os outros repelentes”, afirma Antônio Luis Egreja Alves da Costa, proprietário da empresa. “As perspectivas para o próximo verão é de que as vendas sejam quadruplicadas”.


Fonte: Economia IG

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