Páginas

terça-feira, 17 de abril de 2012

Epidemia de Diabetes

Aumenta a incidência entre adultos e adolescentes do mal que atinge 10 milhões de pessoas no Brasil e 150 milhões no mundo 

Saulo Cavalcanti

Embora a medicina avance na busca de soluções mais eficazes para o diagnóstico e tratamento do diabetes, o número de óbitos por complicações cresce assustadoramente. Esse paradoxo faz-nos refletir sobre esta doença histórica. Já foram encontrados registros sobre o diabetes em papiros de 1500 anos a.C. No século II d.C., o grego Arateus da Capadócia descreveu uma estranha enfermidade que denominou “diabetes”. Arateus notou que a doença provocava boca seca, perda de peso e urina abundante. Séculos depois, o diabetes ainda é um problema para a humanidade.
A doença atinge 150 milhões de pessoas no mundo e a projeção feita pela Organização Mundial da Saúde para o ano de 2025 é de 300 milhões. O diabetes é tratado como epidemia nos EUA e na Europa. No Brasil, 10 milhões de pessoas têm a doença, e a incidência aumenta em adultos e adolescentes, tendo como principal causa o crescente aumento de peso.
Segundo o Ministério da Saúde, 50% dos brasileiros sequer sabem que são diabéticos. A doença aumenta 3 a 5 vezes o risco de complicações cardiovasculares (infarto e isquemia cerebral) e é a 1ª causa de falência renal, cegueira, amputação e disfunção erétil, além de diminuir a expectativa de vida em 5 a 10 anos.
O diabetes mellitus pode ser entendido como duas doenças em uma, e como um campo fértil para a geração de outras tantas. O diabético tipo 1 não produz insulina e as injeções diárias são essenciais para sua sobrevivência. O diabético
do tipo 2 (DM2) – 90% dos pacientes – produz insulina,
mas o organismo não se mostra sensível ao hormônio. O corpo, então, passa a produzi-lo, cada vez mais, para compensar essa resistência, mas como a resistência vai aumentando, pode ocorrer falência do pâncreas. A ação
da insulina é progressivamente perdida, impedindo a passagem do açúcar do sangue para as células. O fígado tenta compensar e aumenta a produção de açúcar, o que leva ao acúmulo no sangue.

O tratamento do DM2 inclui reeducação alimentar e exercício físico. Quanto às medicações, existe a metformina (que age na resistência à insulina indiretamente, e basicamente no fígado) e as sulfonilréias (que estimulam a produção de mais insulina). Surgiram medicamentos que atuam sobre a resistência à insulina. O que torna a descoberta dos sensibilizadores à insulina, ou glitazonas, um avanço é que estas usam a insulina já disponível no organismo, atuando diretamente nas células do fígado, dos músculos e do tecido adiposo. A rosiglitazona, por exemplo, permite que a insulina facilite o acesso adequado da glicose às células, reduzindo e evitando a toxicidade deste excesso de “açúcares” na circulação sobre o coração, vasos sangüíneos e cérebro.
Ser diabético não significa conviver com danos irreversí-
veis. A moderação é válida para qualquer pessoa preocupada com a saúde e você pode se perguntar por que não se preocupou antes com sua qualidade de vida. Siga as recomendações do seu médico, adapte a alimentação, exercite-se, perca o eventual excesso de peso e use a medicação rigorosamente. Não é admissível que uma doença tão idosa contribua para a morte de dezenas de milhares de brasileiros anualmente, consumindo expectativa e qualidade de vida de outros tantos.


Saulo Cavalcanti é endocrinologista e vice-presidente da
Sociedade Brasileira de Diabetes



fonte
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário